Primeira noite sem dormir

Aliás, a minha primeira divagação sobre as possibilidades de caminhos do que esse espetáculo pode vir a ser. Bom, para começar acho que hoje finalmente caiu a minha ficha de que daqui a bem pouquinho tempo estaremos, eu, Bela e Fernando partindo da nossa cidade nordestina, Natal, para Paris, cidade que adoramos por seus confortos e belezas, mas que hoje encaro com certa desconfiança, pois não apenas passaremos 10 dias de férias contemplando a cidade da luz, mas dois meses vivenciando uma rotina de trabalho Parisiense. É… uma noite de sono perdida por um sonho tão esperado e prestar a ser concretizado. Uma boa causa!

Minha falta de sono começou quando lembrei que amanhã faremos (eu e Fernando), ou melhor, hoje, porque são 02:37h da madrugada de 27 de dezembro, a nossa primeira entrevista para a nossa pesquisa sobre o exílio na infância; o tema que queremos abordar nesse projeto/espetáculo, até então chamado de Os Livros de Miranda. A ideia é entrevistar às 11h uma amiga querida, minha xará, Paula Vanina, argentina, que foi exilada quando criança junto com seus pais. (Obrigada desde já querida!) E a primeira preocupação, o que me tirou o sono e me levou a estar escrevendo hoje, foi lembrar que não criei nenhum roteiro de perguntas sobre e o que seja relevante perguntar para ela, o que de fato interessa pra minha pesquisa…

Ok, uma proposta pra mim: pensar agora sobre o que perguntar e depois mostrar pra Fernando e modificar de acordo com o que a gente conversar. Beleza? Beleza. Acho que não tem outro jeito, se não fizer isso não vou conseguir dormir mesmo! Vamos lá:

  1. Como aconteceu o exílio na sua família?
  2. Quais são as suas lembranças sobre esse período?
  3. Que idade você tinha quando aconteceu?
  4. Seus pais contam alguma história sobre você nesse período? Como você era, o que fazia, sentia?
  5. Essas lembranças tem algum cheiro, cor pra você?
  6. E hoje, o que você sente ao conversar sobre essas memórias?
  7. Tem algo que você queria ter feito quando criança nesse período do exílio que não conseguiu, ou não podia?

É isso, por enquanto. Daqui a pouco mexo nesse roteiro de novo. E agora, continuando a contar sobre os pensamento que vieram a minha cabeça afundada no travesseiro. Algumas preocupações de mãe, claro. Tipo: Como trabalhar com Bela, minha filha de dois anos e três meses de idade do lado? Como será esse convívio, eu (atriz dedicada (e modesta rs) e mãe um tanto preocupada demais), Isabela (filha linda e curiosa recém chegada ao mundo), Fernando (no revezamento puxado entre pai, marido e diretor) e Maurice (amigo Francês com sangue latino que irá nos receber em sua casa e diretor também, pois irá conduzir esse trabalho junto com Fernando)? Uma coisa estou certa: não vou precisar me queixar de não ser dirigida! Afinal, terei tempo integral com meus dois diretores. Em casa e no trabalho. Rsrsrs… Outras coisas passam pela minha cabeça também: não quero incomodar Maurice, principalmente por causa de Bela, que assim como qualquer criança ocupa um espaço enorme no coração e na casa; o idioma desconhecido e a vontade de conhecer mais sobre o francês, e quem sabe deixar ele ser introduzido no trabalho; a saudade do grupo, que está nos apoiando pra realizar esse sonho, e que quero que fique firme e cheio de trabalho pois é o que nos move… Coisas e mais coisas.

Vou ficando por aqui, pois os meus olhos começaram a pesar, e depois de escrever acho que minha cabeça ficou mais tranquila, já posso deitar. Estou feliz e emocionada por estar dando inicio a esse diário, e entrando nesse projeto. São muitos, muitos sentimentos que preenchem esse momento da minha vida, e quero guardar isso com muito carinho, pois quero deixar que eles façam parte desse trabalho.

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4 comentários sobre “Primeira noite sem dormir

  1. Que massa Paulinha! Bom ver essas dúvidas rodeando sua cabeça! São elas, as dúvidas, que nos conduz para a jornada que desejamos! Fiquei pensando sobre o tema de sua pesquisa, “exílio na infância” e de cara me veio a lembrança do “êxodo rural” (o abandono do campo pelo urbano, buscando melhores condições de vida). Esse “exílio” onde famílias inteiras partem para sobreviver nas cidades grandes, acredito ser também uma forma de exílio. As crianças sofrem muito com essas mudanças… Perdem seus amigos, seu “mundo”… Cheguei em Natal aos 9 anos de idade e lutei por muito tempo para aceitar a cidade… Hoje minha cidade de origem morreu dentro de mim!!!! Não consigo mais visita-lá… Dói uma dor que não sei explicar… E de alguma maneira Natal, passou a ocupar o espaço de minha infância… Sinto uma tristeza estranha de uma saudade de não queter mais voltar a minha cidade… Bem vou parar por aqui, já falei muita doideira… Bjs. Ate breve. Boa jornada no seu trabalho!

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    1. Massa, Leni! A ideia é construirmos uma dramaturgia a partir desse material, e esse tipo de relato é muito valioso pra gente. Eu entendo o que você sente. Por mais que eu adore São Paulo, me sinto a cada dia menos paulistano, mas isso não faz com que eu me sinta mais potiguar, ou seja, parece que vou “perdendo a cor” à medida que o tempo passa.

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    2. Com certeza, Lenilton. Esse exílio também me interessa particularmente, pois assim como você, mas de forma diferente claro, minha vida parece ter sido fragmentada pelas várias cidades que vivi. Uma curiosidade, qual a sua cidade? Inté breve! Sigamos…

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  2. Depois de um tempo, entre curiosa, temerosa e loucamente ocupada, ainda num rojão… querendo calma pra Miranda… desisti de esperar a calma…e adentrar aos diários, no meio do turbilhão, no meio da minha tempestade, da nossa, comecei a navegar…. primeiro post: meus pés e os de paulinha. Mergulho junto, dos pés à cabeça! !!!!

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