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Depois de mais um fim-de-semana de descanso e um pouco de passeio, tivemos um começo de semana bem tranquilo, filhota. Isso porque, se para nós os fins-de-semana são de tranquilidade, o “pobre homem” (parafraseando o querido Eduardo Moreira) Maurice não tem vida fácil. Além de trabalhar conosco de segunda a sexta, de quarta a domingo ele tem apresentações do Macbeth no Soleil, com direito a dose dupla no sábado. Ou seja, o espetáculo dura quase quatro horas, o que significa que ele fica quase oito horas em cena!!!!!! No somatório da semana, são quase 24 horas de atuação, sem contar toda a preparação do espaço e cenário, e as constantes reuniões que o Soleil encara em momentos de transição de espetáculo, já que eles estão fazendo as últimas sessões deste Shakespeare e, provavelmente, depois não apresentam mais.

No sábado passeamos e compramos um pouquinho, porque ninguém é de ferro. E nos deliciamos com os éclairs do Christophe Adam, um dos pâtissiers da moda por aqui. No domingo, passamos quase o dia todo em casa, e à noite fomos ao Soleil assistir a um masterclass de um músico indiano chamado Ustad Usman Khan que é amigo do Jean-Jacques Lemêtre, diretor musical do Soleil. Quando chegamos já tinha começado, e você tinha dormido no caminho, no carrinho. Então sua mãe resolveu ficar na “antessala” do teatro, vendo o show de lado e um pouco de longe, enquanto eu subi pra arquibancada. Talvez por essa diferença de posicionamento, eu me deliciei com a música e a aula, já que ele falou muito sobre a música e os instrumentos indianos, em especial a cítara e a tabla, que são esses tambores de sonoridade incrível. Já você (depois que acordou) e a sua mãe, ficaram um tanto enfadadas (e também talvez por não entender o que ele falava, e ele falou muito!). Antes de seguir, coloco um vídeo do hômi, acompanhado pelo mesmo músico que estava com ele lá:

Bom, pela nossa programação, ontem era dia de trabalho em casa, como vamos fazer todas as segundas-feiras. No entanto, o Maurice chegou adoentado em casa no domingo (nem ficou pro masterclass do indiano), e ontem combinamos de trabalhar à tarde. No entanto, o Maurice resolveu fazer um jantar para Iemanjá, mãe de Ogum, que é o Orixá dele, e acabamos ocupando a tarde toda nos preparativos pra festa: o Maurice na moqueca, eu e a Paulinha no manjar branco – que, por falta de tempo pra gelar, acabou virando cozinha molecular: espuma de manjar branco, mas ainda assim fez muito sucesso –, eu também baixei as músicas de Iemanjá, a Paulinha e a Aline na decoração, e você, meu amor, metade da tarde deliciosamente nos atrapalhando a todos, a outra metade dormindo como um anjinho, mesmo depois da festa começar.

A festa foi excelente, muita gente (umas quinze pessoas!!!!), e muito papo. Brasileiros, franceses, espanhola, e talvez de outras nacionalidades também, não tenho certeza. No meio da festa você acordou e, como sempre, roubou a festa pra você! Depois, quase à meia-noite, saímos todos por uma Paris quase deserta de segunda à noite para jogarmos flores no Rio Sena, que era a água mais próxima que tínhamos, já que mar, daqui, tava meio difícil… Um frio de rachar, lá fomos nós pro Boulevard Henri IV. Rodamos um pouco, pela Île Saint Louis, pulando uma cerca proibia o acesso ao Square Barye – a primeira contravenção da tua vida! –, depois até a Rive Gauche (a margem esquerda do Seine, ou seja, a parte sul), onde encontramos um bom cantinho pra lançar as oferendas pra Rainha das Águas. E assim fizemos, inclusive você, meu amorzinho. A surpresa da noite foi que, ao partir, percebemos que haviam dois barcos ao nosso lado: um se chamava “Alma”, o outro “Bethanie”, que é quase “Bethânia”, que escutamos no apartamento cantando Dois de Fevereiro e outras músicas algumas vezes! Rsrs…

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Apesar de ateu, tenho uma especial admiração pelo Candomblé e pelo Budismo/Xintoísmo, e essa experiência de ontem foi muito bonita e emocionante pra mim, ainda mais por estar com você e a tua mãe!

Bom, acabamos caminhando um pouco pelas ruas de Paris, próximo à Bastille, até voltarmos pra casa pra descansar. Aliás, a Paulinha ficou lavando louça, mesmo com muitas recomendações contrárias minhas e do Maurice, até mais de duas da madruga! Foi bonita a festa, pá…

Diante desta segunda-feira que tivemos, transferimos a programação de ontem pra hoje. E foi excelente. Assistimos os vídeos de algumas cenas da semana passada – da médica cubana e a entrevista da Jovelina, agora rebatizada de Márcia Nascimento Ferreira –, comentamos, observamos detalhes, discutimos sobre o texto que eu fiz da médica e já alteramos algumas coisas, e acertamos detalhes sobre o calendário do resto dessa residência.

Por incrível que pareça, ando já saudoso… Ainda não chegamos à metade da permanência aqui, mas acho que pela agitação do calendário pela frente, com a ida a Firenze, ando com a sensação que tá acabando!

Amanhã retornamos aos nossos últimos três dias no L’Épée. É mais um fim de ciclo, uma morte a se lidar. Mas sobre isso falamos nos próximos posts. Enfim, foram dois dias de descanso pro bravo mestre Durozier, e quatro pra nós! Já tô babando pra voltar pra sala!

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