15: Tchau, mamãe.

Filhota, passamos o fim de semana passeando em Aix, uma viagem que, apesar de rápida, você e nós adoramos, pois além de termos sido super bem recebidos pela Livia e Baptiste, você fez um amiguinho lindo chamado Logan, de um ano e pouquinho. E você brincou, dividiu brinquedo, não dividiu brinquedo, chorou, riu…

E depois da brincadeira, voltamos pra nossa casa em Paris. Começamos a segunda-feira com uma reunião em casa, e você logo se arrumou, colocou sua chinela da Peppa, um gorro, um cachecol, uma mochila nas costas com alguns brinquedos, pegou uma passagem de trem (usada) e disse: tchau mamãe, vou embora! Tchau papai! Tchau Maurice! Vou embora! Mandou beijo com a mãozinha e foi pra cozinha e depois voltou, repetindo isso algumas vezes enquanto a gente conversava. Lindinha.

Enquanto isso, além de dividir a atenção com você, nós víamos um vídeo de trabalho do Maurice, que sexta-feira trabalhou sozinho na Cartoucherrie. O vídeo era curto e trazia uma proposta de movimentação da personagem Cecília durante uma consulta: Maurice sentado em uma cadeira com rodas, junto a uma mesa também com rodas, caminhando pela sala, fazendo pequenos giros, enquanto falava e anotava coisas sobre a consulta. Uma proposta muito boa pro que a gente vem investigando de possibilidades de movimentação no espaço, bastante inspirados no espetáculo do Soleil Les Ephémères.

Além disso, conversamos sobre o trabalho como um todo, sobre ele falar de memória, da nossa versão e visão da Miranda exilada, inclusive Maurice mostrou uma foto de uma menina em Cuba, entre a década de 60 e 70, pra gente se inspirar no figurino, e depois falou sobre a necessidade do Ariel de se vestir, ter um figurino de acordo com a cena, pelo menos pro que a gente tem como proposta de cena até agora e sobre ideias de cenas que podem surgir, como: um furacão em Cuba (que pode ser a nossa tempestade); um sonho de Miranda sobre o desaparecimento de Manuel (seu pai) num passeio por um parque, jardim; Márcia tentando convencer Miranda a comer…

Essas ideias foram exemplos do Maurice pra que eu crie uma proposta de cena pra amanhã e a gente possa experimentar em sala. Eu tive algumas ideias ainda na própria reunião, mas eu não podia falar, sou proibida! Rsrsrs… É que Maurice prefere que eu leve a proposta e apresente, sem dizer nada que antecipe. Acho que isso tem um lado bem positivo, porque ele e Fernando conseguem enxergar objetivamente o que eu apresentei ou não da minha ideia, porém às vezes eu tenho dúvidas a perguntar pra executar a cena, e não sei o quanto devo tirá-las ou não, então me viro e soluciono no meu jeito e aos poucos vou compreendendo o que eles enxergam de fora e colocando o meu olhar, jeito de fazer de dentro da cena.

E pra amanhã, algumas coisas que não posso deixar de pensar pra proposta que apresentarei são: ações concretas para a personagem, objetos que utilizarei em cena, a cena acontece em que horário, onde acontece… enfim, quanto mais detalhes eu levar para a cena, melhor.

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