O trabalho das emoções

Nos três últimos ensaios Maurice me apresentou ao Universo dos Sentimentos, o Navarasa (Nava: nove – rasa: sabores, sentimentos). Sentamos um de frente para o outro, e Maurice com seu livro/apostila na mão sobre o treinamento indiano, ia me explicando, e me apresentando a cada uma das rasas, depois pedia que eu experimentasse e repetisse o que ele havia feito, sempre ao som de música indiana, o que ajudava muito a entrar nesse trabalho.

Nós trabalhamos três rasa por dia de ensaio, mas Maurice me contou que no teatro indiano eles passam 2 meses estudando cada emoção. Eu fiquei bem curiosa pra saber mais sobre esse trabalho, mas por enquanto, para o nosso objetivo e curto tempo, essa introdução rápida ao Navarasa já foi muito importante, pois me propiciou mais clareza das diferenças de cada rasa em cena.

Então, ao todo são nove rasa (sabores) e cada uma têm seus códigos:

  1. Shringara – amor (dos amantes, materno, divino)
  2. Hasya – desprezo
  3. Karuna – tristeza e compaixão
  4. Raudra – fúria
  5. Vira – sentimento heroico (coragem)
  6. Bhayanaka – medo
  7. Bibhatsa – nojo
  8. Adbhuta – deslumbramento, maravilhamento
  9. Shanta – serenidade (ausência de emoção)

Devo dizer que pra mim, foi muito prazeroso e difícil, principalmente no primeiro dia, penetrar em cada sabor desses. Eu repetia exatamente o mesmo código que Maurice apresentava, porém o sentimento é profundo, vem de dentro, e era preciso ligar ele em algum lugar dentro de mim que nem sempre conseguia achar, e não bastava repetir o que o mestre demonstrava.

Mas aos poucos, com ajuda de Maurice, fui percebendo algumas chaves pra acessar cada emoção, por exemplo: na rasa fúria, uma raiva extrema, parecia que o meu interior não se conectava com o gesto, e quando Maurice disse que pra ele a vibração da fúria começava abaixo do ventre, percebi que entender a respiração de cada rasa seria fundamental.

Além disso, parece óbvio o que vou dizer, mas compreender profundamente cada sentimento pelo Navarasa, me permitiu uma consciência física maior quando apresentava o estado dos personagens em cena, pois muitas a indefinição da emoção em que o personagem se encontrava, me fazia oscilar por vários estados, às vezes me esvaziando, quando não era essa a intenção.

É isso… tem sido um trabalho bem instigante, e acho que a vontade de contar sobre ele foi tão grande que esqueci de falar de você filhota! Rsrsrs…. Mas mamãe te ama muito, tá?

Ah… Uma frase do livro que Maurice usou pro trabalho: “O sentimento existe só no percurso dele, da sua fonte até a sua finalidade”.

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