Quarto papo dos diretores – 18.02.2015

Na madrugada, último papo antes de partir pra Firenze. Fizemos uma avaliação das coisas até aqui, e uma projeção do que pode estar por vir.

Dentre as diversas coisas que conversamos, foi muito bonito ter ouvido o Maurice contar sobre o seu envolvimento e o seu entusiasmo com o trabalho. Pra nós, claro, tudo isso está sendo incrível, uma experiência divisora de água nas nossas vidas pessoal e profissional. Mas pra ele, não “precisava ser”, já que é um ator experiente, integrante do provavelmente mais importante grupo de teatro do mundo, com tanto vivido. Mas não só ele fala do quanto está animado com o trabalho, como relata o privilégio de estarmos na Cartoucherie, que ontem à tarde comentei com ele que é uma ilha. É lindo ver um cara como ele ainda conseguir ter a clareza sobre o que faz com o mesmo frescor do iniciante. Mais uma lição a aprender.

Por fim, desculpem a qualidade do vídeo mas, pelas velas acesas, a câmera ficou procurando o foco em alguns momentos. Mas o que importa é o conteúdo.

Ah, em tempo, já estamos com quase 2.500 visualizações, e ultrapassamos bem a marca dos 400 visitantes!!!!

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8 comentários sobre “Quarto papo dos diretores – 18.02.2015

    1. Massa, Rafinha! Esqueci de responder o teu outro comentário, pra dizer que o Maurice recebeu o teu recado, aliás, leu ele mesmo! E me pediu pra explicar a coisa do “velho macaco” e “macaco velho”! Rsrs… Continua comentando, viu? Beijos pra você e pra aquele bicho feio!

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  1. Fernando,
    Acho que foi em 2012 essa convivência/aproximação do Maurice com o ” Coletivo Angu”. E pouco tempo depois ele veio ao Brasil para o lançamento do livro ” Palavrara de Ator”, e nessa ocasião do lançamento ele apresentou a Leitura/Peça que ele faz um grande relato sobre a vivência teatral…Bom, Ivo ficou como ” anjo” de Maurice. Ivo o ajudou na logística de montagem, na preparação do chá indiano, passou até a roupa de Maurice. E nessas conversas de bastidores Maurice disse: ‘” Ivo, velho macaco”. Acredito que por ser uma pessoa de teatro… ter vivido muitas coisas nesse universo. Inclusive na dedicatória do livro ele escreveu: “Ivo, velho macaco como eu, mas é nas panelas velhas que se faz as boas sopas”. Será que agora ele lembra?
    Quero deixar um abraço caloroso para Maurice!!!

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  2. 17/02/15
    O dia que fui no teatro com a belinha (ela que me ditou esta frase para eu começar a nossa brincadeira no caderno).

    Sobre o ensaio:
    Tentar organizar e deixar claro para vocês o que foi claro para mim, parece que seria uma tarefa árdua ( nada contra o que é árduo…), eu poderia produzir um texto/artigo com certas conexões referenciadas mas ai o texto sairia em um ano porque eu ainda estaria embaixo da mesa tentando crescer para escreve-lo.
    Então estou improvisando umas estas palavras à lápis duro que pede atenção em cada letra e não desliza muito. Dai as letras estão meio agarranchadas por entre as bolinhas em espiral que a Bela desenhou no meu caderno. Foi nesse impulso de sair debaixo da mesa que resolvi improvisar isso aqui. Esero que lhes chegue.

    Miranda para mim faz tempo que é um enigma. Se vocês assistirem algum dia a peça do Inominável, Vazio é o que não falta, Miranda, entenderão o desentendimento que nos une de certo modo. A Miranda de vocês tem um outro universo. Será? A nossa vem do Beckett, é o nosso Godot, é no espaço vazio que ela está.
    Nessa pré-criação, pré-forma, nesse essencial que vive no silêncio, na fumaça do incenso? Sabe. Talvez eu realmente devesse sair debaixo da mesa e fazer o texto de gente grande.
    Vamos supor que este aqui seja um ensaio, ou uma conslta?

    Na nossa Miranda repetimos, ‘ a lá’ Beckett, as sentanças/ – Vamos embora. – Não podemos. – Por que? – Estamos esperando Miranda./ Depois disso eu, na peça sou persona Helena, recorro ao dicionário e sorteio entre as páginas com o dedo indicador qq palavra, e dou a ela o significado de Miranda.
    Como farei agora com o dicionário francês-português (não teremos o significado detalhado, mas somente a tradução. Tudo bem, c’est pas grave).
    Lá vai… Miranda:
    _ Con//ductance. Condutância //-ducteur,trice. Condutor, ora. // -ductibilité. Condutibilidade. // -ductivité. Conduzir// liderar . Conduzir-se. Comportar-se e por ai vai.

    Bem, no nosso jogo cênico, a vida segue depois da leitura do significado. Embora a gente perceba que entre as palavras, o sentido da busca fica mais avivado. Algum vaga lume aparece e é devorado. E este é o jogo.

    Voltemos a Vossa Miranda que está assim chegandinho, que pode ir embora e voltar, se reinventar, falar espanhol? Italiano, português! Linguagem de criança!! Francês…
    Anotei umas coisinhas quando vi as primeiras passadas:

    _chegamos e o espaço é lindo. eles aquecem chegando.Maurice fez uma experiência com a mesa, não era uma ‘experiência’ mas uma passagem de partitura? com a mesa que eles estão trabalhando. como se” abrisse os trabalhos”.
    _repetições com a Paula embaixo da mesa e saindo, olhando algo em cima, com medo. volta para baixo da mesa. pensei em perguntar como ela sentia-se com este movimento. de onde vem a coragem para sair e de onde vem o medo que a leva de volta. que tempestade é esta?
    _e a ‘mãe Paula’ está muito presente no ensaio (de hoje ou sempre?). fico intrigada… isso é… interseção…ou não é? como é isso? fim das anotações.

    Essa coisa de entrar e sair do abrigo-mesa. De trabalhar a musculatura das pernas, de fazer deslocamentos no plano super baixo… Isso tudo é muito radical, é uma dança, é um mergulho e um vôo. A gente se abriga na gente quando precisa se entender, a gente busca passagens secretas embaixo da cama, das palpebras, das mãos que nos escondem do mundo quando afundamos as palmas nos olhos.
    Foi bom perceber que, ao estar embaixo da mesa, a Paula conseguiu criar três espaços para quem a vê ( no caso eu palteia).

    3 espaços: o “ali dentro” (embaixo da mesa) e o “aqui fora” e o “nosso”.
    Quando ela vai para o “aqui fora”, este espaço é ainda o aqui fora dela, da personagem; aproxima-se do espaço concreto da plateia, mas ainda não é este.
    Ainda não é o “nosso” espaço compartilhado em concretude de presença com a personagem (pois ela se move no espaço da ficção).
    Olha que viagem, sabe quem criou para mim o espaço “nosso”? A boneca quando manipulada para a total visualização da plateia.
    E então uma pausa.

    de mil compassos para ver as meninas e nada mais nos braços soh este amor, assim descontraiiido. uma pausa ou transição com as canções que vcs utilizam. a menina dança, a boneca desenha.
    um passo.
    uma pausa.
    a menina corre, precisa de um limite.
    brinca de teatro, de ser diretora, de complementar a teoria.
    Qual é a interseção?
    o mestre organiza as camadas, e vcs pacientemente conduzem-se junto, docemente vão canalizando a condução. são disc’ipulos e l’ideres no deixarem-se conduzir.
    tenho a sensação de que o trabalho acontece também pela rede invis’ivel das sinapses cerebrais de vcs 3 ( mais um/belinha), tanto é o que flui no silêncio.
    parece que o trabalho vai acentando devagar… igual àquela fumaça que acompanhou o Maurice na primeira passada…

    A Paula, depois de improvisar a Cec’ilia, ficou no espaço cênico, delimitado pela linha. Ouvia os diretores, arriscava aflorar os seus caminhos ocultos. A Belinha, no colo do pai, lança alguma palavra para a mãe / (será que estava brincando de ser diretora e falava para a atriz?) / que então devolve para a filha algumas palavrinhas e uma expressão que, para mim que estava no alto da plateia, parecia ser a de uma criança sapeca e extremamente afiada.
    Era espaço cênico, mas não era cena. Mas era uma interseção da Paula mãe atriz. Eu penso que vi a Miranda dançando no canto do olho dela.

    Vixe, Tô escrevendo que a beça. Será que vcs ainda estão lendo? Mas agora vem o final do improviso.

    A cura. O ritmo. Quero fazer um pedido. Vamos embora, não podemos, pq? Estamos esperando Miranda. Miranda:
    – Beau (bel antes de vogal), belle adj. ( bô, bél). Belo, la; formoso, sa.
    Eu juro que sorteei ao acaso.

    Bem, essa coisa da cura; foi forte pra mim. Hesito em dizer isso. Essa coisa do branco, das consultas, da médica. Essa coisa do ritmo.

    Boa coragem amigos, o trabalho é de cura. O trabalho é de curar mem’orias. Pode ser que seja uma das etapas né? Uma pausa para Margarita chamar o ‘Rrossé”. Viva la révolution, revolución, revolução? E obrigada por me levarem na Cartoucherie.

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    1. Obrigada pelas considerações, inspirações, Carol. Foi muito bom ter você no nosso ensaio, outro olhar sobre o nosso trabalho. Além disso, suas palavras pós o ensaio, conversando a caminho do metrô, foram muito encorajadoras! Será sempre bem-vinda. Beijo.

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    2. Nossa, Carol! Não sei como é para os que não estavam lá, mas eu passeei muito pelas tuas impressões! Você conseguiu ler cometia sensibilidade o que estamos vivendo, das belezas às agruras… Acho que a Miranda/Godot vem. Mas o tempo pra ela chegar é longo, e precisamos estar atentos e fortes pra não esperarmos na árvore errada. Comecei o processo ouvindo “Para ver as meninas”, acredita? E achei lindo e preciso a observação que já aquecemos chegando. Verdade absoluta! Vou ainda usar isso em algum post, mas prometo que dou o crédito. Você é sempre bem-vinda no nosso consultório! Dia 8 voltamos.

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