22: Não canta, conta!

Beloca, hoje eu nem ia escrever, pelo cansaço e pelo dia não ter apresentado coisas muito diferentes do trabalho de ontem que eu achasse que valia a pena relatar. No entanto, ao chegar em casa (estamos em internet no celular, por enquanto, aqui na Itália), vi que a nossa querida amiga Paula Vanina fez um monte de comentários no blog, e isso acabou me animando pra, pelo menos, “bater o ponto” de hoje. É bom também pra manter a freguesia frequentando a casa!

Antes de chegarmos você só comentava que queria encontrar com “os leões”, que são duas ragazze que você ficou brincando ontem. Depois que elas descobriram que o seu signo é leão, vocês três ficaram brincando de imitar leão e uma perseguir a outra. De fato, quando estávamos nos aproximando do Malcantone, e a Justina, uma delas, estava no portão e, há uns cinquenta metros, já começou a gritar: “Ciao, leonessa!”.

Bom, seguindo pro trabalho, a oficina hoje foi a continuidade do trabalho de ontem, com foco na extensão. A prática da Francesca é muito calcada na repetição, com pequenas diferenças, de exercícios de canto. Através da repetição, da conceituação dela, e da observação dos demais – ela diz que o trabalho é antropofágico, pois “um come o outro”, no sentido de aproveitar tudo o que o outro faz, de certo e de errado –, ela vai percebendo e ajustando a resposta de cada um, individualmente. É sem dúvida um trabalho muito bonito, é uma expedição espeleológica pela voz de cada um, experimentando lugares diferentes aos poucos, explorando…

Algumas questões me chamaram especial atenção hoje. Uma mais geral foi perceber como a France não foca na voz, mas no espaço e no corpo, para conseguir resultados na voz. É muito evidente que aqueles que insistem em focar na voz, têm muito mais dificuldade em conseguir resultados. Os que vão entendendo onde canalizar energia, avançam muito mais! Tem muito a ver com um princípio de trabalho que eu (e nós, dos Clowns) costumo usar nos ensaios e em oficinas, que aprendi com a mestra Adelvane Néia, que o importante não é o “o que”, mas o “como”. Com isso, tenho certeza que esse trabalho que estamos fazendo serve pra tudo, não só pro trabalho de voz do espetáculo.

Outra coisa muito legal, que se não me engano a Francesca não usava isso na época em que trabalhamos com ela nos Clowns, é que ela insiste com a turma em “não cantar, e sim contar”. Digo, o princípio ela já usava, mas os termos em si, de contar, ao invés de cantar, é uma sacada muito transformadora, faz com que aqueles que se esforçam pra buscar uma voz mais impostada se desarmem. Comentei na avaliação que achei incrível como esse trabalho da Francesca, de “desmontar” aquela voz armada (dos que já têm experiência com canto), faz com que surja o melhor de cada voz. Enquanto a impostação tende a chapar as vozes, que ficam com registros muito semelhantes, essa voz que a Francesca explora dá personalidade ao canto de cada um, é fantástico.

Amanhã, domingão, começamos o trabalho ao meio-dia, ou seja, vai ser uma manhã curta!!!! Então, hora de ir pra cama (você duas já dormem o sono dos justos), pra estarmos dispostos amanhã. Arrivederci!

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