25: Cantando

Depois da labuta intensa de ontem, hoje tivemos uma sessão mais tranquila de trabalho, filha. A Francesca disse que ficou tão consumida pela fúria das águas do texto d’A Tempestade, que levou essa energia pra reunião de condomínio que teve logo após o ensaio! Então, hoje fomos pra um trabalho mais suave…

Quando chegamos na casa da France, ela estava no Skype com o querido Ernani, que é o responsável pelo nosso encontro com ela. Falamos um pouco com ele, e assim como o Gabriel inspirou o ensaio de ontem, hoje foi a vez do Nanino dar o tom.

A Francesca começou fazendo uma aula com a tua mãe, um pouco mais curta que a de ontem e, dessa vez, com a nossa presença. Ela explorou bastante as regiões mais baixas da voz, com uma ótima resposta! É incrível como o trabalho individual rende muito mais que uma aula com uma turma maior, como fizemos antes no Brasil, com os Clowns, e aqui, no fim-de-semana. Claro que um grupo maior gera outros ganhos, mas o acompanhamento individual proporciona um aprofundamento que com muitos não dá.

Fomos então para as músicas. Primeiro, a France nos apresentou uma música belíssima chamada Sorte la Luna, que é da região de Milão, cidade natal do Próspero e da Miranda. Não encontramos letra nem música na internet, mas a Francesca tinha as cifras rabiscadas à mão e sabia a letra decorada. É um dialeto que mistura italiano com francês, numa melodia e letras lindas, fala sobre amor e saudade. Acho que é uma música que tem muito a ver com o universo que estamos trabalhando, se pensarmos que o Próspero poderia cantar isso pra Miranda, tanto pra mostrar a música da terra deles, como comentei ontem, como pra matar um pouco a saudade de Milão. A Paulinha cantou um pouco junto com a France, com alguma dificuldade, mas acho que a canção foi introjetada. A própria Francesca pediu, certo momento, que parássemos, pra Paulinha deixar a música “se assentar” dentro dela, e amanhã retomarmos. A letra é assim:

Sorte la luna su in del cielo

Passa una piuma sopra il mio cor

In quella piuma il y a il tuo amore

Che a me s’inibrazza fino al dolor.

 

Tortora bianca della mia vita

Croce di rosa jamais finita

La mia gioiezza a te offerita

Tuta ai tuoi piedi stendaro.

Antes de terminarmos, pegamos um pouquinho da Attenti al Lupo. De fato, é muito bonita e gostosa de ser ouvida, assim como de ser cantada, mas a Paula vai penar um pouco pra conseguir! É muito rápida e tem parole demais! Não tendo a tua mãe uma especial facilidade pra línguas – ela vai ficar brava por eu estar escrevendo isso –, vai ter que ralar bastante pra dar conta. Mas, disciplinada e obstinada como é, vai conseguir fazer e bem!

Fizemos com a canção do Lucio Dalla a mesma coisa: primeiro a Francesca foi lendo a letra e traduzindo, depois cantaram um pouco, juntas, e às vezes a Paulinha sozinha, e deixou também pra que a tua mãe deixasse a música assentar nela.

Amanhã vamos pro rojão de novo: texto e músicas. Pra hoje, a Paulinha levou a tarefa de trabalhar as letras e melodia das músicas.

Quanto a você, Belinha, acho que foi um dia sem muitas novidades. Seguimos na nossa rotina de pastas, pizzas, gelatos e trabalho. Ah, pra deixar registrado, em dois dias de trabalho na casa da France, você já ganhou dois presentes dela: uma espécie de mosaico de madeira de oliveira muito delicado, que pode ser usado (e está sendo) como um pingente, que ela te deu ontem, e um espelho que você ganhou hoje, e ficou enlouquecida brincando de Bela (d’A Bela e a Fera) que tem um espelho mágico.

Em tempo, preciso registrar a tua história com a Francesca e a oliveira, que eu tinha esquecido de falar antes. No dia em que você nasceu, a France nos disse que plantou, junto com a pai dela, uma oliveira pra você na casa deles no campo, e desde então ela sempre se refere a você como “minha oliveirinha”. Ou seja, meu amor, você tem uma oliveira que tem a mesma idade que você, e existe em sua homenagem! Lindo isso, né?

Amanhã à noite teremos trabalho, jantar na casa da France e um concerto particular dela e do Gian Mario, amigo que está hospedado na casa dela, que além de um artista plástico fantástico, é também músico, e toca harpa! O dia promete!

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3 comentários sobre “25: Cantando

  1. Fiquei pensando que como o trabalho desenvolvido com a Francesca na Itália (que sempre me parece mais quente e ensolarada que a França, mesmo que isso não corresponda à realidade, mas é assim que vejo no meu imaginário!) é mais “técnico” do que de direção de cena ou de estruturação do espetáculo, minhas contribuições (ou comentários, melhor chamar de comentários do que contribuições, né?) ficam mais restritas! Sempre tenho vontade de comentar, mas não sei o que, ou como contribuir! Enfim… só para dizer que continuo acompanhando o blog, mesmo que em silêncio. É isso!
    Diogo (de Oliveira) Spinelli.

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    1. A minha sensação é que a Itália é sim mais quente, ensolarada e solar que a França também, Diogo! Não que isso me faça gostar mais de uma ou outra, até porque amo a Inglaterra e, nesse quesito, é a lanterninha disparada! Rsrs… Estou ao mesmo tempo curtindo MUITO a Itália, e com saudades (sempre!) de Paris. Pode, né? Pode continuar dando sinal de vida, mesmo que não saiba exatamente o que dizer. A melhor coisa rum blogueiro é receber comentário!

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